The Market
Mobiliário europeu de época lidera leilão de antiguidades da James Lisboa
Pregão de 6 de outubro ofertou 83 lotes e registrou 61 vendas confirmadas; cômoda ao estilo Boulle alcançou R$ 38 mil, acima de qualquer pintura
07 de outubro de 2026 · 3 min de leitura
O leilão de antiguidades da James Lisboa Leiloeiro Oficial, realizado em 6 de outubro, confirmou venda em 61 dos 83 lotes ofertados. A leitura mais clara do pregão não está em nenhum resultado isolado, e sim na distribuição: móveis e objetos europeus dos séculos XVIII e XIX ocuparam a maior parte das primeiras posições, deixando a pintura brasileira em papel secundário.
O lote mais caro foi uma cômoda "Regence" em madeira nobre com revestimento em latão, aplicações em bronze dourado e marqueterie Boulle com casco de tartaruga, datada do início do século XVIII e atribuída ao estilo de Nicolas Sageot. Vendida por R$ 38 mil, superou com folga o melhor resultado entre as artes visuais.
Esse posto coube a Aldemir Martins, com um "Galo" de 1972 em acrílica sobre tela, que alcançou R$ 27.500 — a única obra bidimensional a cruzar a casa dos R$ 25 mil com alguma margem. Logo abaixo, uma tela de grande formato de Claudio Tozzi, de 1986, empatou com um conjunto de doze cadeiras de jantar do século XIX atribuídas ao arquiteto James Wyatt, ambos a R$ 25 mil. O empate resume o pregão: pintura moderna e mobiliário inglês disputando o mesmo patamar.
Dois lotes quase idênticos chamam atenção pela repetição. As esferas armilares em madeira policromada e dourada, baseadas em modelo do Abade Nollet e produzidas em Paris por volta de 1750, foram vendidas por valores próximos, R$ 15.200 e R$ 13.800, conforme a escala de cada peça. Ambas trazem no catálogo a mesma procedência documentada: leilão da Sotheby's de Londres, em setembro de 1995. É o tipo de informação que raramente aparece em catálogos de antiguidades no Brasil e que, aqui, acompanhou peças que terminaram entre as dez de maior valor.
O resultado mais distante do ponto de partida veio de um objeto pequeno. Um globo de mesa francês de Charles Fortin, Paris, meados do século XIX, com 28 centímetros de altura, aparecia no catálogo com lance de R$ 1.500 e foi vendido por R$ 18.500. Movimento semelhante, em escala menor, ocorreu com um abstrato de grande formato de Sachiko Koshikoku, que partia de R$ 5.000 e chegou a R$ 14.500.
Completam o grupo de maiores valores duas peças de mobiliário com histórias particulares: uma escrivaninha cilíndrica em palha prensada, feita para guardar joias por um prisioneiro de guerra francês por volta de 1800, e uma escrivaninha "Carlton House" em mogno do período George IV. Em um pregão de antiguidades, a narrativa associada ao objeto funcionou como argumento de valor tanto quanto a assinatura funciona na pintura.
Nota de dados: os valores citados correspondem a vendas publicamente confirmadas pela casa. Os demais resultados do leilão estão disponíveis na base do Artebase.



